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A Libélula e a flor

A Libélula e a flor

A formosa Amarílis, preparava-se para a chegada da primavera, esta pequena flor com seu manto bulboso e brilhantes pétalas amareladas ligeiramente rajadas, aguardava ansiosamente um lindo beija-flor que pairava regularmente em suas hastes florais para contemplar sua beleza e deliciar-se de seu néctar. O que a pequena Amarílis não esperava era a chegada de uma intrigante criatura em seu habitat, uma graciosa Libélula que rodopiava e exibia suas asas delgadas a procura de uma parceira, para juntos ascenderem até ao éter:
– Quem é você? – disse Amarílis, irritada com a chegada do inseto alado.
– Olá minha linda flor! – respondeu o sedutor.
– Meu nome é Líbelus, sou uma Libélula em busca de aventuras, afinal estamos na primavera e nada melhor que o perfume das flores para atrair uma grande paixão.
Amarílis, incomodada com a presença leviana do tal Líbelus, resolveu expulsá-lo afim de não atrapalhar seu encontro com o Beija-flor, pois a qualquer momento o colibri iria aparecer, daí falou:
– Aqui não há lugar para sua espécie, volte de onde veio ou procure outro reduto amoroso.
Então, o jovem respondeu:
– Calma minha linda flor, qual o motivo de tanta aspereza? Sua beleza não combina com tamanha indelicadeza, – e continuou – aceite uma pequena demonstração do meu afeto e escute uma singela canção para acalmá-la. 
Amarílis, desconfiada e muito curiosa para ouvir tal canção, resolveu aceitar com uma condição, que depois desta, fosse embora para o outro lado do jardim, e Líbelus disse:
– Seu desejo é uma ordem! – e começou a cantar.
À medida que a sutil libélula deglutia sua voz ao som dos pássaros e ao ruído do vento, Amarílis deliciava-se com seu cantar, deliciava-se cada vez mais, e passaram aquela bela tarde usufruindo a companhia agradável um do outro.
Amarílis resolveu oferecer ao forasteiro viajante um pouco do néctar que havia guardado para seu beija-flor. Enquanto isso, Líbelus continuava cantando:
 
 “Cores imagens, cores imagens, cores imagens, cores.
 Originais as flores, demais as cores e mais amores.
 Não me ensina a morrer que eu não quero.
 Há diferença abstinente no prosseguir da gente .
 Sei que a tendência anda nas frestas no decidir da mente.
É como se perder de Deus e eu não quero.”
Eu não quero me perder.
Eu não quero te perder.
Perdão você.”
 
– Indescritivelmente, lindo! – disse Amarílis, extasiada.
Ela percebeu o quanto aquela libélula era charmosa e aos poucos foi rendendo-se ao seu canto e encanto. A paixão tinham-lhes aflorado a alma, tal como a chuva quando toca a terra e brota relva.
Ao perceber o alvorecer do dia, a libélula com um ar entristecido disse:
– Agora preciso partir minha cara.
– Não, não vá! – disse Amarílis, aflita.
Líbelus, com suas asas decaídas disse: – Nunca vi flor tão majestosa e tão bela em toda primavera, te levarei comigo no meu coração.
– Não! – gritou Amarílis – leve-me com você a outros jardins, me faça conhecer o mundo.
– Não dá! – disse Líbelus – Suas pétalas muchariam ao sol escaldante do verão e o vento arranca-lhes-ia no inverno. Uma formosa flor como você não combina com um inseto como eu.
E antes de partir, um leve beijo lhe deu, e disse:
– Saiba, você foi o melhor presente de toda a primavera. – Afastando-se, voou para o todo sempre de sua amada.
Amarílis vendo seu amado distanciando-se sussurrou:
– Adeus meu nobre sonhador, levastes um sonho que a pouco me mostrou, deixaste-me apenas o vazio do abandono, vá meu caro, à procura de outros jardins!
O Beija-flor que a uma certa distância assistia àquela triste cena, aproximou-se e disse:
 – Não minha pequena, ele não te abandonou, se tivesse levado-lhe junto, aí sim teria lhe abandonado.
– Por quê? – Indagou Amarílis sem entender.
– Porque as Libélulas vivem apenas um dia.
 

 

Este é meu primeiro conto que narra a estória de um amor impossível entre um Inseto e uma flor, e mostra que muitas vezes é preciso abdicar-se de um desejo em prol de outro. Muitos de nós agimos como a Libélula ou a flor....

As palavras em itálico são trechos tirado da música "Perdão você" da cantora "Marisa Monte".


Espero que apreciem!!!

Obrigada!!!


Kátia Kelly Manaus, Amazonas

Kátia Kelly
24/09/2009

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