Que horas são?
 
                É interessante o “assincronismo” da vida! Quantas vezes achamos que é o tempo correto para fazermos tal ou qual coisa, contudo, dá tudo errado e vemos que não era chegado o tal do “tempo”.
Isto se acentua quando dependemos de alguém (o que, via de regra, sempre acontece): nosso tempo nunca é igual ao tempo daquele que estamos na dependência!
                Claro que nossa ansiedade influencia nisto, contudo, mesmo encarando a “assincronicidade” da vida como um exercício de paciência e resignação, acabamos por ver meses se passando e o tal do “tempo” não chegando!
                Às vezes empreendemos esforços hercúleos para conseguirmos alcançar objetivos, contudo estes não se realizam no tempo que estimamos.
                Tamanha a importância disto que me lembro até de músicas que abordam esta “assincronicidade”, contudo nenhuma me pareceu mais marcante do que a do músico evangélico Lazaro, ex Olodum, que em uma das suas frases diz assim “Mas a vitória nunca, nunca vem... não, não, não, não vem”. Observem a marcação do tempo na repetição dos advérbios: 2x do “nunca” e 4x do “não”!
Minha intenção não é abordar nenhum aspecto metafísico ou lingüístico da “assincronia” da vida, mas sim chamar à atenção para vários fatores que estão envolvidos e, em particular, um: a confiança!!!
                Diga-me, quantas vezes a “vitória, não, não, não, não veio” por causa da falta de confiança, mesmo daqueles que dizem que confiam em você? E, mais ainda, quantas destas vezes este alguém simplesmente chegou e explicou o porquê da falta de confiança para que você tomasse as medidas necessárias para “reparar” um provável erro?
                Se pararmos para observar de maneira muito fria, iremos ver que vivemos em um mundo aonde não basta falar, temos que provar tudo o que falamos, provar tudo o que somos (a sua carteira de identidade serve para o que mesmo? E os diplomas?), provar tudo o que planejamos (dá-lhe PMBOK),  enfim, temos que provar tudo para todos, o tempo todo e, mesmo assim, às vezes, a prova apresentada não é suficiente!
                Provas das mais variadas matizes para conseguir emprego, provas de fidelidade conjugal, provas cingidas em pactos para que acordos não sejam quebrados, livros escritos acerca das provas e outros tantos tentando ajudar aqueles que não “passaram” nas várias provas que tiveram que viver.
                Por que isto?
                Para que isto?
                Aonde reside o núcleo central desta desconfiança assíncrona em tudo e em todos?
Aonde queremos e/ou iremos chegar com isto?
Bem... não sei!!!! Só me resta, humildemente, deixar aqui registrado mais este texto para que você, que me dá a honra da sua leitura, pense e reflita acerca das provas que você pede e das provas que você dá, cotidianamente, e o quanto isto impacta no passar do tempo da sua vida e da vida daqueles que dependem de você, pois o tempo é nosso e as horas, mera convenção!
A propósito, que horas são mesmo?

André Silva
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